Sobre um tesouro
esta pequena cidade tem uma grande história”

Um casulo histórico ; Um lugar chamado Évora, a ser descoberto ainda por muitos, tem uma importância religiosa, histórica, e arquitectónica muito significativa. Tudo isto conduziu à UNESCO a considerar esta cidade como Património da Humanidade em 1986.
Évora começou a ser estabelecida desde a época pré-histórica. A apenas alguns quilómetros desta cidade mágica foram encontrados megálitos datados de 4000 a.C.. Em 80 a.C. foi fundada aqui a cidade romana de Liberalitas Julia. Durante as invasões bárbaras, Évora esteve sob o domínio dos Visigodos, tendo mais tarde, em 715 d.C., sido tomada pelos Mouros. A cidade foi recuperada pelos Cristãos em 1166 e transformou-se numa base privilegiada para a corte real do reino de Portugal.
Hoje, esta pequena e encantadora cidade-museu incorpora dentro das suas paredes medievais uma variedade de estilos (romano, românico, gótico, manuelino, renascentista, e barroco), todas que reflectem a sua história brilhantissimamente rica. Dentro destas paredes tambem asseguram-se um verdadeiro labirinto de ruas estreitinhas e muito charmosas, todas elas sempre nos guiando a incrívies obras arquitecturais.
Para além da sua vertente histórica, Évora é também uma cidade universitária muito dinâmica, conhecida em Portugal pela sua grande quantidade de estudantes que a torna ainda mais agradável e vivida…
A duquesa de Cadaval, Dona Claudine – cujo palácio de família, do século XIV, foi restaurado inteiramente em 1994 - teve a iniciativa de, juntamente com as suas duas filhas, começar um festival anual de música. Este evento, contribuiu para tornar esta cidade ainda mais especial, foi denominado, “Festival Évora Clássica”. Dedicado inicialmente a um programa inteiramente clássico, o festival foi-se transformando, sendo hoje, ao atingir a sua XIV edição, uma mostra de um vasto leque de estilos musicais mundiais, tradicionais e contemporâneos. Tornando o evento agora a chamar-se “Festival Évora Clássica – OS ORIENTAIS” estando geminado com o “Festival Les Orientales” que decorre em Saint-Florent-le-Veille, França.
Uma outra iniciativa realizada por este festival é uma amostra dinâmica que exibe o melhor da tradição, da cultura, da música, da vida e da beleza de Moçambique. Um país fabuloso, ainda insuficientemente reconhecido pela sua música, mas que é certamente um epicentro dos famosos ritmos e das batidas da África. Festival Évora Clássica celebra este ano seu primeiro aniversario deste novo Festival de Musicas do Mundo, que trabalha fundalmentamente em Moçambique o mostar das suas artes tradicionais a suas re-aparençias no proprio espírito da Africa.
Ao mesmo tempo que se expande, a casa-mãe deste festival será sempre em Évora, nesta cornucópia da história e da cultura. Anualmente é criado um ponto de encontro da cultura, convidando diversos grupos de artistas e performers de todos os cantos do mundo e lugares remotos para comemorar a riqueza e a história da música, da arte e da vida.
Apresentamos agora Alain Weber, o nosso director artístico, com as suas impressões sobre o programa deste ano para fazer aumentar o nosso entusiasmo sobre o que nos espera.
Rituais do quotidiano e da eternidade
É preciso liras, flautas, que fazem a alma voar »
© Paulo Barata
Esta nova edição, que vê mais uma vez saltimbancos, poetas e músicos aterrar em Évora, à semelhança dos pássaros migratórios, confirma a longevidade de um encontro tornado ritual ao longo dos anos. Como aquelas peregrinações de antigamente, O Festival Évora Clássica cria uma ruptura com o nosso quotidiano, renova a nossa procura do outro, suscita uma imersão noutros mundos. Estes espectáculos constituem uma oportunidade para atravessar rios, oceanos, montanhas e desertos graças a estes artistas vindos de outras paragens.
Esta dedicação a uma natureza antiga, nós celebrá-la-emos com verdadeiros rituais de água e de fogo, que existem por entre as mais extraordináras da India draviniana, animista e hinduista.
Ao longo do Bhuta, ritual originário de Karnataka que, diz-se, remontaria à era neolítica, as máscaras totémicas de Pilli (o deus-tigre) ou de Vishnumurthi (o deus-leão), aparecem de forma sobrenatural na luz vacilante das tochas e evocam a emoção e o fascínio do homem xamânico. A arte sattriya dos monges bailarinos de Majuli, ilha do Assam envolta pelas águas benfeitoras do Brahmapoutre, encarna a ordem do universo instaurado por Vishnou.
A marca das origens e a permanência das crenças perpetuam a riqueza da India… Riqueza de que é ainda testemunha o povo rom, essa
A infância estará de novo representada, a fim de prolongar a nossa atitude de transmissão. Uma transmissão própria das cidades da Ásia : a dos antigos luxos de Bagan a Birmana, através de uma dança requintada e acrobática ou a dos cursos de Samarkand ou Boukhara onde se canta a arte do shash-maqâm.
Para lá das crenças religiosas, um sentido do sagrado habita estas tradições, o que nos faz dizer, ao modo do melómano e poeta francês René Daumal :
tê-la sonhado, como sonhamos com um muito antigo país de homens e mulheres mais sábios e mais belos, de uma idade de ouro... »
A equipa do Festival 2008
Presidente do Festival
— Duquesa de Cadaval
Director Artístico
— Alain Weber
Produção e Comunicação
— Alexandra de Cadaval, Princesa Diana de Orléans
Administração
— Maria Emília Ramos, Françoise Sellier
Coordenação Artística
— Edith Nicol, Alexandre Jomaron
Assessoria de Imprensa
— Luís Bandeira
Criação Gráfica
— Juan Rodríguez
Director Técnico
— Carlos Ferreira
Decoração
— Equipa Casa Cadaval
Colaborações
Soudabeh Kia, Betty Jovenet, Gazi Khan
Barna, Denis Gontard, Nadine Delpech, Mathias Coulange, Filippo Bonini Baraldi, Sylvain Boughida, Enris Qinami, Vasco Sacramento, Príncipe Charles-Philippe de Orleans e Carlos Pissara
Sinceros agradecimentos a : Jean-Hervé Vidal e Zaman Arts, Thaike Oo, Gulnara Karimova, Association Préserver Majuli, Armand Amar e todos os benévolos.
